segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Até onde vão as redes sociais e geográficas das grandes cidades

Jaime Oliva


As cidades são a expressão geográfica mais acabada da escala local. No entanto, aquelas que possuem as condições metropolitanas podem ser definidas como configurações capazes de promover uma transição de escalas geográficas: da local para a mundial, por exemplo. Por esta razão se conceitua uma metrópole, antes de tudo, por essa característica de passagem escalar. A seguir estão apresentados os elementos integrantes de uma metrópole. Na série indica-se a formação das redes de influência que funcionam como pontes da passagem escalar mencionada.

Elementos integrantes: itens numerados
Redes de influência: pequenas descrições

1. População
Por ter base migratória e imigratória, estimula a manutenção de vínculos geográficos com as áreas de origem dos habitantes.
2. Tamanho da população (I)
Os volumes populacionais impressionantes de uma grande cidade atraem negócios que têm origens em outros lugares, inclusive no exterior.
3. Tamanho da população (II)
Os grandes volumes populacionais sustentam negócios locais, que se tornam poderosos e se estendem para outras cidades, inclusive do exterior.
4. Infra-estrutura de transportes
Com esses volumes populacionais e de negócios que se estendem para além dos seus espaços, as grandes cidades estimulam e constroem uma rede de ligações em sua direção e para fora (estradas de rodagem, rotas aéreas, rotas marítimas etc.).
5. Infra-estrutura de comunicação
Em virtude do volume de pessoas, de negócios e das relações internas e externas que se estabelecem numa grande cidade, todas terminam se equipando, necessariamente, com sistemas telefônicos, sistema de correios e internet. Em geral, com o que há de mais avançado em termos tecnológicos.
6. Infra-estrutura de informação
O público interno de uma grande cidade estimula e sustenta a imprensa escrita, o rádio e a televisão e, assim, surgem grupos poderosos, cujas informações influenciam outras localidades.
7. Atividades econômicas (I)
Redes de diversos negócios (corporações transnacionais, por exemplo) optam por sediar seus escritórios de comando de suas atividades no mundo nas grandes cidades, tidas como lugares geográficos estratégicos para essas funções, entre outras razões, pela infra-estrutura de longo alcance (transportes, comunicações e informações). Isso em todos os ramos (indústria, comércio, finanças).
8. Atividades econômicas (II)
As grandes cidades centralizam certos fluxos que articulam a economia mundial, como bolsas de valores, bolsas de comércio e sedes dos grandes grupos financeiros.
9. Atividades educacionais (I)
Com grande população, muitas instituições escolares podem ser sustentadas em todos os níveis. Por isso, todas as grandes cidades possuem universidades e atraem estudantes e professores de outras localidades que não podem ter todos os níveis de ensino.
10. Atividades educacionais (II)
Por serem pólos de atração, as universidades em grandes cidades ganham em qualidade e em recursos. Isso implica ampliação das ligações com outras universidades do mundo, com outros intelectuais, com a realização de congressos que atraem pessoas de diversas localidades.
11. Atividades científicas
As grandes cidades terminam tendo boa estrutura universitária, bom número de pessoas com formação científica e isso é um atrativo para os institutos de pesquisa científica públicos e privados se instalarem nelas. Estimula também que as próprias empresas instalem seus centros de pesquisa nesses espaços. Cidades que têm esse potencial realizado atraem cientistas e estudantes de outras partes do mundo.
12. Atividades artísticas
As grandes cidades fomentam muitas atividades culturais para seu público interno, mas também atraem espetáculos culturais de várias localidades do mundo, em todos os ramos artísticos. Festivais de música e de cinema são comuns nas grandes aglomerações urbanas.
13. Sistema de hospedagem
Numa cidade que sedia grandes negócios, com atividades culturais e científicas de importância, que tem infra-estrutura de circulação de bens materiais e imateriais, é natural a circulação de muitos visitantes de fora, de turistas. A estrutura de hotéis, por exemplo, torna-se um equipamento natural de uma grande cidade.
14. Hábitos culturais
As grandes cidades, com suas poderosas infra-estruturas de transportes, comunicação, informação, seus negócios, suas ciências, suas artes, terminam sendo irradiadoras de seus modos de vida, de seus hábitos comportamentais, de consumo etc.
15. Poder político
Algumas grandes cidades devem parte do seu crescimento por terem sido escolhidas no passado como capitais de um país, por serem sede do poder político, o que demanda infra-estrutura para levar suas decisões a territórios mais amplos. Mas cidades grandes que não são sede do poder político terminam, mesmo assim, por todos os outros fatores mencionados no quadro, tendo muita força e influência política em territórios mais amplos.

5 comentários:

Carol disse...

ótimo texto.todos deveriam ler para sanar as dúvidas referentes ao que leva uma metropole ser caracterizada como tal e até onde suas redes sociais geográficas alcançam.

carolina bonamini

mile disse...

Cara massã isso , fiz tudin o trabalho =)

Daniel Marques disse...

Parabéns pelo texto, deu pra faazer o trabalho inteiro.

Vlw [:D]

Anônimo disse...

muito bom eu aprovo eu gostei

Anônimo disse...

D´´a pra explicar cada um dele por favor????